







“Ontem choveu no futuro. / Águas molharam meus pejos / meus apetrechos de dormir / meu vasilhame de comer. / Vogo no alto da enchente a imagem de uma rolha. / Minha canoa é leve como um selo. / Estas águas não tem lado de lá. / Daqui só enxergo a fronteira do céu. / (Um urubu fez precisão em mim) / Estou anivelado com a copa das árvores. / Pacus comem frutas de caranda nos cachos.” (Manoel de Barros, O livro das Ignorãças.)
Nós aqui de baixo, tiramos um sem número de baldes,
dessa água toda que verte pelos poros dos céu.
Sim, ultimamente o futuro está cada vez mais inundado.
Não sabemos se vemos ao certo o que outrora flutuava
Ou se você leitor anda nos vendo por ai?
Parece que pelas paredes, frestas a toas esfarinham furos;
seria o sangue/cimento jorrando?
Água mole em pedra dura...
De certo, os telhados rebelaram-se,
nossos apetrechos para sermos sós.
Petrópolis, cidade empedrada
sofre as intempéries diluentes.
A ventania nos parece agora brisa gotejante
desejo de contágio.
Inundados e inundantes
confundimos canos e céu aberto.
Estas águas não tem lado de lá.